“Tenho doentes que trabalham noventa horas por semana”

Teresa Paiva foi entrevistada no Jornal das 8 da TVI desta terça-feira 24 de Janeiro sobre o  problema da privação do sono que atinge cada vez mais os portugueses devido ao excesso de horas de trabalho e cada vez menos horas de sono.

“Tenho doentes que trabalham noventa horas por semana, o que é mais do dobro do que as clássicas 40 horas”.  Noventa horas por semana correspondem a 18 horas de trabalho por dia, mais dez horas por dia que uma semana de 40 horas e mais 11 horas do que a semana de 35 horas, reposta no ano passado em Portugal para a Função Pública. Trabalhando 18 horas, uma pessoa fica com apenas seis horas disponíveis para dormir e fazer todas as restantes tarefas do dia-a-dia, sendo inevitável concluir que dormirá pouco e não terá certamente momentos de lazer.

“Trabalhar muito é hoje uma constante que exige ter imensas regras, não se  podendo ultrapassar determinados limites”, referiu a neurologista e especialista em medicina do sono.

“A noção de que nós não temos limites é uma noção falsa, é uma mentira”, acrescentou.

Teresa Paiva diz que a privação do sono “tem efeitos na memória, havendo mais lapsos e com o tempo um risco claro de demência”.

“Costumo alertar para uma coisa fundamental, que é precisarmos de ter momentos de pausa.  Durante a noite o nosso cérebro reorganiza toda a parte cognitiva, as relações entre diferentes zonas do cérebro, a relação entre os dois hemisférios. E durante o dia também é necessário ter pausas. Hoje há imensa gente sem momentos de pausa, a falar sempre ao telemóvel, a ver o ipad,  a ser constantemente interrompida”, disse à  TVI a especialista do sono.

 

 

 

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