Porque dormimos mal nas noites quentes?

 

Um quarto deve ter uma temperatura entre os 16 e os 18 graus para dormirmos bem, dizem os especialistas. Ora, nos dias quentes que Portugal tem vivido este Verão, muitas noites têm tido temperaturas ambientes superiores a 25 graus.

Deste modo, é quase inevitável que muitas casas, mesmo mais resguardadas do Sol durante o dia, possam atingir temperaturas nos quartos, à noite, próximas dos 30 graus. É claro que em muitas habitações há ar condicionado e ventiladores mas frequentemente estes não abrangem todas as partes da casa.

Um estudo norte-americano de 2014, à escala nacional, chegou à conclusão que 18 por cento das crianças e 35 por cento dos pais têm dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana devido a um problema de temperatura, envolvendo tanto o calor como o frio.

Numa situação normal, cerca de uma hora a uma hora e meia antes de a pessoa adormecer, o corpo começa a baixar a temperatura, entre dois a três graus, processo que conduz de modo natural a uma sensação de cansaço. Quando estamos a dormir, o nosso corpo baixa a temperatura, o que por sua vez induz um sono mais profundo. Por volta das quatro, cinco da manhã a descida de temperatura atinge o seu pico.

Todo este processo natural fica comprometido se o nosso corpo tem uma temperatura mais alta por causa do calor ambiente, o que acabará por “confundir” o cérebro no que respeita aos mecanismos do sono e perturbar a qualidade deste. Os efeitos do calor, segundo os especialistas são o aumento da vigília e a diminuição do sono REM.

Curiosamente, um estudo de 2014 da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, publicado na revista norte-americana Current Biology,  analisou o sono de 94 pessoas que vivem em ambientes tropicais e concluiu que todos eles acordaram naturalmente antes do nascer do sol. Ou seja, antes das temperaturas começarem a subir. O que parece sugerir que o corpo preserva o dormir  durante a noite, quando está mais fresco. O calor funcionaria como um despertador natural. O principal investigador do estudo, o psiquiatra Jerry Siegel, disse que  os  resultados são “surpreendentes”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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