“Há muitas diferenças entre o sono das mulheres e dos homens”

 

Teresa Paiva 6

Teresa Paiva esteve no VII Colóquio de Enfermagem em Saúde Materna e Obstétrica que se realizou  a 14 e 15 de Abril passado no Centro Hospitalar de Leiria, onde fez uma intervenção centrada nas características específicas do sono das mulheres, em virtude dos ciclos menstruais e da menopausa, da gravidez e do período pós- parto.

A neurologista e especialista em medicina do sono  falou sobre as diferenças do sono entre homens e mulheres, referindo que estas “têm maiores índices de pesadelos, despertares confusionais, alucinações hipnagógicas, episódios de comer nocturno, dores durante o sono e síndrome de pernas inquietas”.

Já os homens  são mais propensos a terem perturbações do sono como “a apneia e roncopatia, narcolepsia do tipo 1, síndrome de Kleine-Levin, parassónias no período de sono REM, terrores nocturnos e movimentos periódicos do sono”, adiantou.

Teresa Paiva referiu que algumas diferenças entre o sono dos homens e das mulheres se devem à menstruação destas. “ “Na fase lútea, há mais despertares, maior latência REM, menor eficiência de sono e pior qualidade subjectiva de sono”.

A especialista em medicina do sono disse que 80 por cento das mulheres tem algum grau de transtorno pré-menstrual, manifestado “em insónias, baixa produtividade e fadiga, falta de coordenação, ansiedade e depressão, humor lábil, esquecimentos, dores musculares e de cabeça, ganho de peso e alterações do apetite e alterações intestinais.”

Teresa Paiva  referiu que   70 por cento das mulheres têm problemas de sono durante a gravidez em virtude de alterações hormonais, físicas, comportamentais e psíquicas”. Níveis mais altos de progesterona durante a gravidez “originam fragmentação do sono ou sonolência excessiva”. Por sua vez, “a nictúria e os movimentos fetais diminuem a eficiência do sono”, acrescentou a médica especialista.

Segundo Teresa Paiva “a insónia e os despertares  estão mais presentes no segundo e terceiro trimestre de gravidez.  Já a sonolência excessiva tem forte prevalência no segundo trimestre”.

No pós parto, as mulheres têm tendência a  ter mais “sono polifásico, acompanhando o ritmo de sono do bebé, diminuição da eficiência do sono e do limiar para acordar e diminuição da latência para o sono REM”, adianta.