Histórias de sonâmbulos

 

Sonambulos Paul Lim
FOTO: PAUL LIM

Estudos indicam que um em cada 50 adultos no mundo sofrem de ataques de sonambulismo. O jornal britânico “The Guardian” publicou recentemente várias histórias de sonâmbulos. São relatos impressionantes que o iSleep reproduz.

Emma Walton, 25 anos: “Tinha de fechar bem as janelas e as portas durante a noite”

Desde miúda que os meus pais fechavam muito bem as janelas do meu quarto. Muitas vezes a meio da noite ia passear na sala e entrava no quarto dos meus pais a dizer um disparate qualquer. Imagino como deve ter sido assustador.

Uma vez consegui abrir a janela do quarto. Devo ter estado praticamente pendurada. A minha mãe ficou muito preocupada e quando fui para a universidade obrigou-me a trancar as janelas e portas do quarto da residência universitária.

Tenho pesquisado muito sobre a minha doença. Sei que o sonambulismo está possivelmente ligado ao stress e ao facto de o cérebro ter dificuldade em desligar. Sempre tive uma imaginação muito fértil e um dormir muito difícil. Também falo muito durante os sonhos e estes são incrivelmente agitados.

Hoje o meu companheiro sabe como me levar de volta para a cama quando tenho um episódio de sonambulismo. Conversa comigo com cuidado, leva-me de volta, muitas vezes acordo já na cama e rimos com a situação.

 

Peter Langdon, 59 anos: “Um dos meus companheiros de quarto estava convencido que o ia matar”

Tenho sonambulismo desde que me lembro. Estou constantemente a puxar a minha namorada para fora da cama porque estou convencido que a frente da casa está a cair. Uma vez dei comigo na borda de um  primeiro andar do quartel onde sou militar, perseguindo um ladrão que não existia. Este episódio fez com que um dos meus companheiros de quarto passasse a dormir com uma faca debaixo do travesseiro, convencido que eu o ia matar quando estivesse a dormir.

Também estou constantemente a cair da cama. Uma vez cai de uma cama que estava a dois metros do chão. Também sonho muito com tsunamis.

 

Eleanor, 28 anos: “Podia ter morrido e ninguém saberia”

Tive o primeiro episódio de sonambulismo aos oito anos.

Tive o meu primeiro ataque de sonambulismo aos oitos anos de idade. A minha mãe acordava-me muitas vezes dentro do guarda-roupa, no meio do meu vestuário.

A pior e mais perigosa experiência que tive  foi aos 21 anos. Estava em casa sozinha e acordei às três da manhã dentro da banheira cheia de água morna com uma lâmina na mão. Tinha depilado metade da perna esquerda. Acordei e tive um ataque de pânico. Foi muito assustador. Podia ter morrido e ninguém teria sabido. Felizmente nem me cortei.

A última vez que tive um episódio de sonambulismo tinha 22 anos. Levantei-me e fui dormir debaixo da mesa da cozinha.

O meu primeiro namorado assustava-se muito quando dizia incoerências e vagava pela casa de olhos abertos. Dizia-me que eu parecia possuída, demoníaca. Acabámos a nossa relação por causa disso.

Uma vez, também me encontrou a vasculhar o frigorífico, à procura de uns panados de frango. Mal o vi disse-lhe.”Não fiques aí parado, ajuda-me a encontrá-los”. Ainda é mais estranho porque sou vegetariana.

 

Zoe Ford, 30 anos: “Estava quase a saltar da janela quando acordei com o ar frio na cara”  

Comecei a ter ataques de sonambulismo aos 11, 12 anos de idade. Na Universidade, entrava no elevador do prédio e andava para cima e para baixo. Uma vez achei que as paredes estavam cheias de insectos e tentei saltar pela janela do quarto. Acordei com o ar frio a bater-me na cara.

O meu pobre marido acorda muitas vezes comigo a falar e a gritar. Felizmente não se queixa muito. Também tenho situações em que me convenço que estão outras pessoas no meu quarto ou que estou na cama errada.

Anónima, 38 anos: “Andei nua pela rua”

As experiências que costumava ter envolviam uma sensação de estar presa numa sala de onde queria desesperadamente sair.

Acordei muitas vezes em frente de uma parede, apalpando-a à procura da maçaneta da porta

Acordei muitas vezes com a sensação estranha de ter estado  levantada toda a noite. No dia seguinte descobria que algumas coisas estavam em lugares estranhos e outras simplesmente tinham desaparecido.

Uma vez , no casamento de um amigo num hotel de luxo, saí do quarto e andei nua pelos corredores. Um amigo encontrou-me e levou-me para a cama. Espero que as câmaras do hotel não me tenham filmado.

Noutra vez, estava  a dormir em casa de um amigo e só Deus sabe onde estive e o que fiz. No dia seguinte, o meu amigo disse-me que lhe tinha deixado uma mensagem de voz a dizer que tinha uma lata de espinafres na mão. A chamada foi feita de um telefone público de uma loja de conveniência, a cerca de 1 km de distância da casa do meu amigo.

Numas férias nas ilhas gregas, em Santorini, sai do apartamento e fui fazer um passeio à beira de um penhasco. Pelo menos foi o que me disse um padre ortodoxo grego que me acordou. Felizmente, desta vez tinha roupas.

 

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