Inquérito nacional de saúde não tem dados sobre sono e perturbações do sono

FOTO: ISAI MORENO
FOTO: ISAI MORENO

O Inquérito Nacional de Saúde 2014, à semelhança dos anos anteriores, não possui quaisquer dados referentes ao sono dos portugueses, como número de horas de sono, horas de deitar e de acordar, insónias e outras perturbações do sono, toma de indutores de sono ou ansiolíticos com o objectivo de dormir.

Mariana Neto, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, coordenadora do Inquérito, disse ao iSleep que “o inquérito é feito com base no que se se faz em todos os países europeus e que as perguntas sobre o sono e as perturbações do sono não estão contempladas”. O INS 2014 é harmonizado e regulamentado a nível europeu pelo Regulamento UE n.º 141/2013, permitindo a comparação internacional dos resultados.

No inquérito estão incluídas muitas questões sobre doenças de várias áreas de especialidade, como asma, bronquite crónica, doença pulmonar, enfarte do miocárdio, doenças coronárias ou angina de peito, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, artrose, dores lombares, diabetes, dores crónicas, depressão, problemas renais, problemas de visão, auditivos e de locomoção. Também há questões relativas aos hábitos alimentares. Há também questões que foram incluídas no INS 2014 de cariz nacional, como a saúde reprodutiva, o consumo de alimentos, a satisfação com a vida e a incapacidade de longa duração.   Mas nenhuma pergunta do inquérito incide sobre o sono, hábitos de sono, insónias e as perturbações do sono.

O Inquérito Nacional de Saúde, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, com a colaboração do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, concluiu que na área da saúde mental, domínio onde as patologias estão muitas vez relacionadas com problemas do sono, 36,5% da população reformada apresentava sintomas de depressão em 2014, face a 18,5% da população empregada.

Dos 25,4% dos portugueses que sofrem de depressão, 16,4% apresentam sintomas depressivos ligeiros, 5,8% sintomas moderados e 3,2% sintomas fortes ou muito fortes.  Nestas queixas de sintomas, 33,7 são mulheres e 16% são homens.

O Inquérito apresenta outros resultados, como mais de metade (52,8%) da população com 18 ou mais anos, ter excesso de peso (50,9% há uma década). O aumento da obesidade afetou principalmente as mulheres e a população com idades entre 45 e 74 anos.  Aumentou também o número de pessoas com doenças crónicas. Um terço da da população com 15 ou mais anos referiu ter dores lombares crónicas.

Cerca de 75% da população com 15 ou mais anos consultou um médico de medicina geral e familiar. Na última década, aumentaram significativamente as visitas anuais ao dentista (de 7,2% para 13,3%). A percentagem de pessoas que referiram consumir medicamentos prescritos por um médico aumenta acentuadamente com a idade, sendo mencionado por mais de 90% da população acima de 65 anos. A proporção da população fumadora (20,0%) manteve-se estável face a 2005/2006 (20,9%), observando-se todavia uma diminuição de quase 2% no número de pessoas que fumam diariamente. Quase 35% da população com 15 ou mais anos consumia bebidas alcoólicas diariamente. Os jovens são aqueles que revelam maior satisfação com a vida.

Os dados completos do INS 2014 podem ser consultados em:

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=224733757&DESTAQUESmodo=2   

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