Insónia

A poetisa Natália Correia escreve um poema sobre a insónia.

“Insónia. Abro a janela. Esvaimento

No abismo da solidão estrelada.

É inquietante a paz e um sentimento

De hora nenhuma vai da lua ao nada.

Tem nisto um deus sinistro o instrumento

De submeter-me em morte figurada?

Silêncio astral. Estático tormento

No eterno insone que inspira a hora parada

Suga-me o sangue um polvo agonizante.

Marginam o pensamento delirante

Espectros de prostitutas na avenida.

Pesam as pálpebras. Apodrece a ideia

De adormecer. O dia já clareia

Num galho tenro da árvore da vida.”

in Natália Correia, Poesia Completa, Dom Quixote, Lisboa, 1999

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