Matthew Walker também é contra a mudança da hora

A três semanas de uma nova mudança para a hora de inverno, que ocorre a 27 de outubro 2019, quando às duas da manhã atrasarmos o relógio 60 minutos, Matthew Walker, professor de Neurociências e Psicologia na Universidade de Berkeley, diz que esta mudança tem efeitos benéficos porque “ganhamos uma hora de sono”. Mas é outra voz dissonante daquilo a que chama “experiência global”, “que obriga 1,5 mil milhões de pessoas a reduzir o seu sono nocturno” por uma hora, uma  noite todos os anos, em finais de Março. Matthew Walker defende que não haja mudança da hora.  

No seu livro “Porque Dormimos”, editado em Portugal pela Desassossego,  Matthew Walker, escreve:  “no Hemisfério Norte, a mudança da hora em março faz com que a maior parte das pessoas perca uma hora de sono. Se comparasse os milhões de registos hospitalares diários, como os investigadores já fizeram, descobriria que esta redução aparentemente trivial do sono coincide com um pico assustador de ocorrências de ataques cardíacos no dia seguinte. De modo impressionante, o contrário também se verifica. No outono do Hemisfério Norte, quando os relógios avançam e ganhamos uma hora de sono, as taxas de ataques cardíacos verificados no dia seguinte descem vertigionosamente. Pode observar-se uma oscilação semelhante no número de acidentes de viação, o que prova que o cérebro, por via de lapsos de atenção e episódios de microsono, é tão sensível como o coração  às pequenas perturbações do sono. A maior parte das pessoas pensa que perder uma hora de sono numa única noite não tem a menor importância, acreditando que é apenas um detalhe trivial e sem consequências. Mas é tudo menos isso.”

In Matthew Walker, Porque Dormimos, O que nos diz a ciência sobre o sono e os sonhos, Edições Desassossego, Lisboa 2010