Médicos privados do sono com menor capacidade de concentração e de reacção

Um estudo português, realizado na urgência de um hospital central, envolvendo um grupo de médicos que esteve de serviço de dia, entre as 8 horas e as 20 e outro que trabalhou 24 horas seguidas ou pelo menos o turno da noite completo e consequentemente esteve privado de sono deu resultados muito diferentes. Os médicos deste último grupo com privação do sono (no minímo com  12 horas de trabalho nocturno/semana)  revelaram, através dos testes realizados, menor capacidade de concentração, menor capacidade de reacção e motora do que o primeiro grupo de médicos sem privação do sono. A investigação, da autoria de Inês Sanches, Fátima Teixeira, José Moutinho dos Santos e António Jorge Ferreira envolveu 18 médicos, sendo 13 mulheres e cinco homens, e foi publicada na Acta Médica Portuguesa de  Julho/Agosto 2015.

Foi aplicado o Índice de Qualidade de Sono para rastrear a presença de patologia do sono e a Escala de Sonolência Epworth para avaliar subjectivamente a sonolência diurna. Usou-se a actigrafia e o diário de sono para avaliar a higiene do sono e os ciclos de sono-vigília. Para demonstrar os efeitos da privação do sono, foi aplicado o teste de Toulouse-Piéron (teste de concentração) e uma bateria de três testes de tempo de reacção após o período de trabalho nocturno.

Em termos de resultados, o grupo com privação de sono apresentou maior sonolência diurna na Escala de Sonolência Epworth  e durante a semana a privação de sono foi maior. A duração média do sono durante o período de trabalho nocturno foi de 184,2 minutos para o grupo com privação de sono e 397,7 minutos para grupo sem privação de sono. No teste Toulouse-Piéron o grupo com privação de sono apresentou maior número de omissões , com um pior resultado no índice de concentração. Os testes psicomotores que avaliaram a resposta a estímulos simples revelaram maior latência na resposta e mais erros no grupo com privação de sono; no teste de reacção a instrução o e grupo com privação de sono apresentou pior índice de perfeição. No teste de movimentos finos não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos.

O estudo concluiu que a prática médica implica uma quantidade significativa de privação do sono nalguns profissionais de saúde e que estes não têm conhecimento dos seus efeitos nocivos, tanto para si como para os  seus pacientes, ameaçando a boa prática clínica.

Consulte o estudo em http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/5777/4417

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