O sono e a fibromialgia

FOTO: ISAI MORENO
FOTO: ISAI MORENO

A síndrome de fibromialgia é uma perturbação crónica caracterizada por dor muscoesquelética generalizada de etiologia desconhecida e associada a um conjunto de sintomatologia diversa, entre ela, a perturbação do sono.

Na fibromialgia existe uma relação consistente e replicável entre dor e disrupção do sono, com um padrão típico de hipervigilância nocturna, sono superficial e não reparador e dificuldade na manutenção do sono. Frequentemente os doentes reportam sintomas de rigidez, fadiga e alterações cognitivas de memória e aprendizagem.

A perturbação do sono na fibromialgia pode mediar e ao mesmo tempo ser mediada por um processo psicológico complexo focalizado em queixas somáticas, alodinia, hiperalgesia e um aumento da persistência da dor com topografia alargada da dor referida.  Os estudos de polissonografia mostram alterações da microarquitectura do sono com instrusão de ondas alfa no sono NREM sem um despertar franco (sono alfa), atraso no início do sono, encurtamento dos estádios 3 e 4 do sono NREM, aumento da frequência dos despertares e do estádio 1 de NREM, redução do sono REM e aumento do tempo acordado após o início do sono.

Roizenblatt et al. descreveram três parâmetros distintos de actividade do sono alfa na fibromialgia: alfa fásica (simultânea com a actividade delta) em 50% dos doentes; alfa tónica (contínua pelo sono NREM) em 20% dos doentes; e baixa actividade alfa nos restantes 30%.

A evidência mais recente sugere que a fragmentação do sono impede o processo de modulação central da dor, o que contribui para a sua hipersensibilidade difusa. Estudos experimentais mostraram a indução de sintomas semelhantes a fibromialgia após provocação  de microdespertares  frequentes, e a sua resolução após a remoção do estímulo de despertar.

Juntamente com a fragmentação do sono alguns doentes apresentam ainda distúrbios periódicos involuntários associados: movimentos periódicos dos membros inferiores, síndrome das pernas inquietas, apneia do sono e o padrão alternante cíclico (PAC).

 

Fonte: Sono e doenças reumáticas, de Inês Silva e Jaime C. Branco (texto adaptado), in Sono e Medicina do Sono, de Teresa Paiva, Monica Levy Andersen, Sérgio Tufik, Instituto do Sono e Editora Manole, São Paulo, 2014

 

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