“O sono é a garantia da nossa sobrevivência”

Teresa Paiva deu uma entrevista à revista Contabilista, uma publicação da Ordem dos Contabilistas Certificados, conduzida pelo jornalista Nuno Dias da Silva.

O ISleep publica alguns extractos da mesma.

Na Pandemia Covid-19 “as pessoas não souberam definir, convenientemente, os limites entre o trabalho remoto e a vida pessoal, prosseguindo o trabalho noite fora e em períodos completamente inadequados”, referiu a neurologista e especialista em medicina do sono.

Mas também houve aspectos positivos

“Como foram para teletrabalho e houve confinamento, deixaram de ter o stress matinal de levarem os filhos à escola e andarem nas filas de trânsito, por exemplo. As pessoas queixam-se do teletrabalho, mas trouxe vantagens e, globalmente, melhorou a qualidade de vida da maior parte delas”, adiantou.

No estudo que realizámos “Covid, Sono, Saúde e Hábitos”, sobre o impacto da pandemia Covid-19 na saúde mental dos portugueses e os riscos psicossociais associados no trabalho, “concluímos que a qualidade do sono degradou-se, sendo um fator relevante para a adaptação ao confinamento. Quem manteve uma boa qualidade do sono e uma boa qualidade do despertar apresenta indicadores muito mais positivos em comparação com os que têm uma má qualidade do sono”, disse Teresa Paiva.

“O trabalho excessivo é pouco produtivo. Porquê? Cometem-se muitos mais erros, gera ansiedade e piora a qualidade do sono. Não se deve fazer nunca trabalho excessivo. O trabalho tem que ter um limite, como todas as coisas na vida”, referiu.

“Os trabalhadores que dormem mal, trabalham pior, têm mais doenças, têm mais absentismo e mais presenteísmo, ou seja, estão apenas de corpo presente no seu local de trabalho, sem nada produzir”, acrescentou.

Teresa Paiva deixou uma palavra particular para os contabilistas, que é extensiva a muitos outros sectores profissionais:

“Os contabilistas não devem fazer multitask de forma sistemática. Ou seja, desenvolverem várias tarefas em simultâneo. As pessoas não podem andar com a cabeça feita num virote. Por exemplo, no contacto com os clientes, devem atender um de cada vez e resolver os seus problemas isoladamente, não sobrepondo assuntos. Para além disso, devem reduzir, fortemente, as interrupções que têm e que são destrutivas ao nível de concentração – seja por email, por SMS, por telefone ou pelos próprios colegas e clientes. Todas estas interrupções têm de ser drasticamente reduzidas. Em Portugal temos muito esta cultura de permanente interrupção”.

 

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