“Os problemas de sono pioraram muito nos últimos 30 anos”

Teresa Paiva falou à revista da DECO, “Proteste”, edição de fevereiro de 2021, assinalando 30 anos após a publicação de um especial sobre sono onde a médica neurologista também participou. (em janeiro de 1991)

Três décadas depois, e em plena Pandemia Covid-19, como vai o sono dos portugueses, questionam à médica os jornalistas da Proteste (Sónia Graça e Nuno César), a publicação com maior audiência em Portugal?

“A resposta não é uniforme, porque umas pessoas pioraram e outras melhoraram. Mas, em média, a qualidade do sono piorou e algumas doenças agravaram-se de forma significativa, como a insónia, a narcolepsia (excessiva sonolência durante o dia, com episódios intermitentes e incontroláveis de adormecimento), dores de cabeça e fadiga”. refere a especialista em medicina do sono.

“Tenho casos mais difíceis de insónia, com muitas variantes, associados a violência na família e no trabalho, ou com uma mistura de doenças orgânicas e psicológicas”, acrescenta.

Se nos centrarmos no último ano, perante a Pandemia Covid-19, “houve pessoas que viram o problema de sono aliviado, sobretudo quem tinha de enfrentar a lufa-lufa diária, ir a correr para o emprego, levar os filhos à escola, estar nas filas de trânsito…. Ora, a pandemia trouxe uma paragem e, com isso, estas pessoas viram o stresse reduzir-se de forma substancial, o que não é irrelevante: é um exemplo de que há outras formas de viver em sociedade que não passam por viver em stresse”, referiu Teresa Paiva.

A especialista em medicina do sino citou um inquérito realizado pelo CENC, o seu laboratório do sono, entre abril e setembro de 2020, junto de nove mil pessoas, dos 18 aos 90 anos, de norte a sul do País, incluindo grupos diferenciados (de médicos e enfermeiros a professores e pessoal da aviação).

Segundo os resultados preliminares do inquérito “a qualidade do sono melhorou em 4% dos casos e manteve-se igual em cerca de 45 por cento”. Quem passou a dormir pior ”tem atitudes e comportamentos negativos, como estar sempre a lamentar-se, ter dependências de tabaco, álcool, redes sociais e jogos. Tudo isso gera maior dificuldade de adaptação. Já quem consegue relativizar e fazer coisas positivas, como escrever, fazer exercício e aprender coisas novas, está mais bem-adaptado à adversidade”, adiantou.

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