“Ouve, em sonhos, a vibração de um arco invisível que ressoa e se propaga como uma nota de violoncelo”

O escritor e cineasta sino-francês Dai Sijie descreve no seu livro “Complexo de Di” o sonho de uma personagem, chamada Caminho Estreito, com cobras e flechas depois de ter fracturado uma perna: “Caminho Estreito vê em sonhos uma enorme cobra cor de aranha, enrolada, que ergue a cabeça a cinquenta metros do chão, abre as maxilas de dentes afiados , a agarra por trás e lhe morde a perna; ou uma flecha que vibra no ar e se precipita sobre ela, com a ponta prateada, sinal de que está envenenada. Ouve, em sonhos, a vibração de um arco invisível que ressoa e se propaga como uma nota de violoncelo. A flecha atravessa-lhe a perna. A esquerda, mais uma vez. Às vezes, o réptil e a flecha confundem-se com um osso desprovido de carne, um osso fosforescente, a sua tíbia fracturada, tal como surge nas radiografias.

In Dai sijie, O complexo de Di, editora Dom quixote, Lisboa 2005

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