Privação do sono pode explicar personalidade de Donald Trump?

 

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Um dos temas em discussão nos EUA, numa altura em que Donald Trump obteve a nomeação do Partido Republicano para a corrida à Casa Branca de Novembro de 2016, são as escassas horas que dorme, podendo provocar-lhe sintomas de privação do sono, como irritabilidade, alterações de humor, desequilíbrio emocional, défice cognitivo,  falta de concentração, propensão para tomar decisões irreflectidas ou dizer frases inconvenientes.

Esta discussão foi despoletada em Fevereiro passado pelo colunista do The New York Times, Timothy Egan num artigo de opinião intitulado  “A  unified theory of Trump”. Egan escreveu no artigo que “as ideias de Trump estão desligadas da realidade e que está quase sempre mal informado. Tem problemas em concentrar-se e em  processar informações básicas.  Imagina coisas e é dado a explosões de raiva e palavrões”.

Durante a campanha não têm faltado situações polémicas envolvendo Trump. Num comício, perante um manifestante que protestava contra as ideias xenófobas da sua candidatura em relação aos muçulmanos e hispânicos,  “disse que ele precisava de um murro”. Noutro comício, o milionário americano desafiou que “podia disparar contra alguém na 5ª Avenida que mesmo assim não perdia eleitores”

Habitualmente Trump não dorme mais do que três, quatro horas por noite e durante a campanha das primárias afirmou que houve dias em que dormiu apenas uma hora ou hora e meia.

Trump afirmou em Novembro passado num comício em Springfield, no Illinois: “eu não sou muito de cama, durmo três, quatro horas, quero saber tudo o que está a acontecer à minha volta”. O magnata do imobiliário explicou numa  entrevista:  “a minha energia é genética. Os meus pais eram assim, tinham uma energia maravilhosa”.

No seu livro “Pense como um bilionário”, publicado em 2004, Trump justificou as poucas horas de sono “com a finalidade de obter uma vantagem competitiva nos seus negócios” e aconselhou os leitores  “a não dormirem mais do que precisam. Não importa o quão brilhante você é, o facto é que dormindo muito à noite não tem tempo suficiente durante o dia”.

Os defensores de Trump alegam que há outros políticos que dormem pouco, como o ex-presidente Bill Clinton, que faz habitualmente cinco horas de sono. O presidente Barack Obama também dorme uma média de cinco, seis horas por noite. Na história política, assinalam-se os casos de Winston  Churchill e Margarat Thatcher, que muitas vezes não dormiam mais do que quatro horas por noite. Os detractores de Trump respondem que há efectivamente exemplos de personalidades brilhantes que dormem pouco mas não é o caso de Trump e que ele é sim o melhor exemplo dos sintomas da privação do sono clinicamente estudados pela Associação Americana de Medicina do Sono,  como irritabilidade, inquietação e falta de concentração.

Pode ler o artigo de Timothy Egan no seguinte endereço electrónico:

http://www.nytimes.com/2016/02/26/opinion/a-unified-theory-of-trump.html

 

 

 

 

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