“Se começo a ver uma greta na janela, estou sempre a acordar”

Amália Rodrigues confessou que só conseguia dormir na escuridão, chegando a comprar panos pretos para as janelas nos hotéis onde os quartos têm claridade. É uma das referências do livro “Amália nas suas palavras”, entrevista inédita da fadista ao escritor neo-realista Manuel da Fonseca.

“Nos hotéis compro papéis pretos e forro os vidros. Primeiro porque não sei dormir às claras. Se começo a ver uma greta na janela, estou sempre a acordar. Ponho a almofada em cima da cara, depois já não posso estar com a almofada e ponho a mão, depois a roupa, mas depois não posso porque está muito calor . É um drama tao grande que a primeira coisa que faço é ver se a janela fecha realmente. Se não fecha, vou buscar coisas pretas , panos pretos papéis pretos . Quando eles não têm nada nos hotéis, a Maria Amélia vai sempre comprar panos pretos e forram- se as janelas. Só gosto do Sol … É engraçado: só gosto do Sol quando estou na praia . Então aí é que eu quero estar ao Sol  . Sem chapéu de Sol e nada na cabeça” .

in “Amália nas suas palavras. Entrevista inédita a Manuel da Fonseca em 1973”, Porto Editora, Lisboa 2020.

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