“Se não dormimos, a primeira coisa que notamos no dia a seguir é irritação”

Teresa Paiva deu uma entrevista recente à SIC-Notícias, onde falou sobre o nosso relógio biológico e os ritmos circadianos

“Não devemos fugir ao nosso relógio biológico. Faz-nos estar em harmonia com o planeta Terra que tem, pelo movimento de rotação, um período de 24 horas. O nosso relógio está altamente sincronizado com esse período”, afirmou.

A neurologista e especialista em medicina do sono lembrou que este sistema permite que o nosso corpo funcione harmoniosamente e a horas, garantindo a nossa saúde e sobrevivência, e foi observado pela primeira vez nas cianobactérias, as chamadas “bactérias azuis”, que se encontravam em poças de água.

“Foi delas que nós, humanos, e outros animais, plantas e bactérias herdámos este sistema ultra antigo na Terra, que comanda múltiplos órgãos e sistemas no nosso corpo”, referiu.

É este relógio biológico que dita, entre outras coisas, as horas a que dormirmos e acordamos.

“Se não dormimos, a primeira coisa que notamos no dia a seguir é irritação, não olhamos para as coisas com a nitidez suposta. O sono assegura a nossa parte cognitiva, emocional, a nossa saúde e, em última análise, a sobrevivência. Se queremos sobreviver, com saúde e de uma forma equilibrada, temos que dormir”, acrescentou.

Uma má noite de sono pode não ter “grande efeito na nossa saúde”, explica a neurologista, mas devemos estar alertas, já que a privação de sono prolongada, a chamada privação crónica de sono, ou as doenças do sono, “favorece quadros de depressão e alterações emocionais, aumenta o risco de desenvolver doenças como hipertensão ou diabetes e, no limite, potencia o risco de mortalidade associado a eventos cardiovasculares e metabólicos”.

 

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