“Sem história clínica um atraso de fase pode passar por insónia”

Dulce Neutel, neurologista e somnologista, foi uma das palestrantes de um curso sobre o sono, intitulado “ “Diagnóstico Somnologia/Medicina do Sono” integrado no Congresso Lisbon Sleep Summit, que decorreu no CENC, a 15 de Maio.

A neurologista, com vasta experiência clínica nas perturbações do sono e insónias, apresentou vários casos de patologias de sono, registados em vídeo nas pollissonografias. Este é um extraordinário meio de diagnóstico para avaliar perturbações de sono em que os movimentos do corpo são característicos.

Dulce Neutel começou por apresentar um caso de narcolepsia em que o paciente adormece de dia sentado, e acaba por cair da cadeira. Dentro da narcolepsia, é um quadro com cataplexia, uma atonia muscular súbita que provoca a  queda do doente, que fica consciente, mas incapaz de falar ou de se mexer. Também há quadros de narcolepsia sem cataplexia.

A  neurologista e somnologista apresentou ainda casos de parassónias do sono REM e NREM. Nestas últimas, os vídeos registaram situações em que o paciente parece acordar e vira-se para o lado, acorda e parece ficar um tempo acordado, está levantado e come morangos do frigorífico. Em todas as situações, os pacientes, apesar de não parecer, não acordam. Há também parassónias de actividade sexual, em que os pacientes a dormir têm relações sexuais com os parceiros, uma patologia com prevalência masculina.

Dulce Neutel falou também do sonambulismo, uma perturbação do sono cujo diagnóstico diferencial em relação à epilepsia se apresenta difícil, e das insónias em geral.

A neurologista disse que “sem historia clinica um atraso de fase (o paciente tem tendência a deitar-se tarde, entre as duas e as três da manhã) pode passar por insónia e não o ser”

Também há situações em “o doente dorme mal mas funciona bem durante o dia, o que faz com que não tenha critérios para lhe ser diagnosticada insónia”

Partilhar: