“Sentiu essa sensação benfazeja que dão oito horas de sono”

Mario Vargas Llosa conta-nos como uma personagem do seu livro,  “A Tia Júlia e o Escrevedor”, acorda numa manhã primaveril em Lima, capital do Peru:

“Era uma dessas manhãs soalheiras da Primavera limenha, em que os gerânios amanhecem mais arrebatados , as rosas mais fragrantes e as buganvílias mais crespas, quando um famoso galeno da cidade, o doutor Alberto de Quineros – fronte larga, nariz aquilino, olhar penetrante, rectidão e bondade de espírito – abriu os olhos e espreguiçou-se na sua espaçosa residência de San Isidro. Viu, através dos vidros, o sol dourando a sebe do jardim que encarcerava estacas de hera, a limpidez do céu , a alegria das flores, e sentiu essa sensação benfazeja que dão oito horas de sono reparador e a consciência tranquila” .

Mario Vargas Llosa, A tia Júlia e o Escrevedor, Dom Quixote, Lisboa 2010

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