O sono de Frederico Garcia Lorca

O poeta andaluz escrevia durante a noite e só fechava a pressiana para dormir aos primeiros raios de luz, segundo conta a sua irmã Isabel Garcia Lorca:

“Era muito raro que Frederico tomasse o primeiro almoço. Levantava-se muito tarde, porque trabalhava pela noite dentro. Desde as três e meia ou quatro da tarde, subia para o quarto, com o seu café iluminado, como ele dizia, e lá ficava a ler ou a escrever até à hora do jantar. Depois, ia ao café Alameda até muito tarde, digamos que até às duas ou três da manhã (…)

A essas horas Frederico não dormia. Abria a varanda, corria a persiana e punha-se a escrever, segundo dizia, até entrar a luz, então fechava a janela e adormecia. Dormia profundamente, sem dúvida, uma vez que em casa não se observava o mínimo de silêncio.”

 

In As Minhas Recordações, Isabel Garcia Lorca, Ambar, 2005