“Temos de criar estratégias para lidar com as adversidades”

Teresa Paiva foi convidada no webinar da farmacêutica Angelini sobre o “Impacto do Confinamento na Saúde Mental: a realidade portuguesa”, que contou também com as participações dos psiquiatras Rui Mota Cardoso e Pedro Morgado.

A neurologista e especialista em medicina do sono apresentou os resultados do inquérito “Covid, Sono, Saúde, Hábitos e Comportamentos”, realizado pelo Centro de Electroencefalografia e Neurofisiologia Clínica – Dra. Teresa Paiva e outras dezenas de instituições, abrangendo quase dez mil participantes.

“A insónia, ansiedade, depressão, menos esta do que a primeira, a fadiga, o burnout pioraram durante a Pandemia. Fizemos uma escala de calamidade, que inclui a depressão, ansiedade, irritabilidade, preocupações.”

Também houve morbilidades, doenças, que se iniciaram na Pandemia, aumentando 100 por cento em relação aos tempos normais, por exemplo a insónia, a ansiedade, a dor crónica, os problemas gastro- intestinais.”, disse Teresa Paiva.  

No que respeita ao sono, “a latência do sono aumentou em todos os grupos. Mas, curiosamente, algumas doenças do sono melhoraram, como a apneia do sono e a narcolepsia”, acrescentou.

O estudo, que envolveu vários profissionais (Médicos, Enfermeiros, Psicólogos, Dentistas, Professores, Bombeiros, Tripulantes de Aeronaves, Técnicos de Aeronaves) tem uma amostra muito representativa em relação aos médicos, tendo envolvido cerca de 1900 destes profissionais de saúde.

“Os resultados mostraram que os médicos tiveram mais stress, mais interrupções no trabalho, mais trabalho por turnos, mais multistask, mais conflitos no trabalho, mais assédio moral e assédio sexual. Também tiveram menor qualidade e quantidade do sono, sobretudo ao dia de semana, dormindo mais ao fim de semana, o que é indicativo de privação do sono”, referiu a especialista em medicina do sono.    

“Este estudo é muito importante para reagir a adversidades futuras, criar estratégias para melhorar o coping, ajustando atitudes e comportamentos. Uma atitude positiva, por exemplo, é não andar sempre a queixar-se e ir fazendo coisas, ter ideias, manter-se activo. Ao nível dos comportamentos, é importante ter uma boa alimentação, um bom sono, não dormir de menos nem de mais, não dormir cinco horas, nem dez horas, fazer exercício físico, apanhar Sol, sobretudo de manhã, que é bom para a vitamina D e é um anti-depressivo gratuito”, adiantou.  

Há que ter estratégias individuais de coping para lidar com a adersidade e a incerteza , cada um tem de ser proactivo e procurar a sua própria felicidade”, disse.

Pode ver o webinar completo no seguinte endereço electrónico:

https://webinar-angelini.pt/

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