“Tenho muitos doentes em Portugal com atraso de fase do sono”

A neurologista e especialista em medicina do sono, Teresa Paiva,  participou a 15 de setembro de 2020 num simpósio on line da Academia de Diabetes da Dinamarca, com sede em Odense, sobre os efeitos da alimentação, do exercício físico e do sono na Diabetes.

A neurologista e especialista em medicina do sono centrou a sua intervenção no atraso da fase de sono, distúrbio que leva milhões de pessoas por todo o mundo a deitarem-se tarde, por vezes mais tarde que as duas da manhã, o que perturba o ritmo circadiano e tem consequências na alteração do período de vigília e de sono, no ritmo hormonal e no ritmo da temperatura corporal. Estas alterações tem fortes repercussões nos diabéticos.

O atraso de fase também potencia o aparecimento da diabetes. Seja pela privação do sono, no caso de os doentes com atraso de fase de sono se deitarem tarde mas terem de acordar cedo para o trabalho ou outros afazeres, dormindo pouco. Seja por causar distúrbios alimentares, já que o doente com atraso de fase pode comer mais à noite e tornar-se obeso.          

Teresa Paiva falou ainda do caso de Portugal, um dos países do mundo onde as pessoas se deitam mais tarde e o atraso de fase do sono é um problema que afecta milhares de pacientes. “Tenho muitos doentes em Portugal com atraso de fase do sono, por vezes chego a ver três casos por dia”

“Estamos perante uma situação complicada em Portugal e há muito que defendo uma investigação do problema, de modo a tentar resolvê-lo”.

A fototerapia, tomar melatonina (hormona que regula o sono) ou a alteração de comportamentos com terapias cognitivo-comportamentais são alguns dos tratamentos para o atraso da fase de sono.

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