Teresa Paiva explica …

Teresa Paiva 6

A função do sonho não é conhecida e, provavelmente, tal como o sono, desempenha múltiplas tarefas e funciona em diferentes níveis, tanto individuais como colectivos. Pensa-se que tem funções na aprendizagem e na memória, no treino para situações de perigo, na readaptação emocional e na identidade da espécie, isto é, ao sonharmos todos com coisas semelhantes, garantíamos a nossa especificidade humana. Contudo, há autores que os consideram um epifenómeno sem funções específicas. Contudo, há autores que os consideram um epifenómeno sem funções específicas ou, quando, muito, um cinema que veríamos gratuitamente todas as noites para nos divertir.

Em princípio, não se lembrar dos sonhos quer dizer que se dorme bem, uma vez que para se lembrar dos sonhos é preciso acordar. As pessoas de personalidade mais difusa e “sonhadora” tendem a sonhar mais que as de personalidade estruturada e concreta.

Em laboratório de sono, acordando as pessoas em diferentes alturas da noite, a evocação de sonhos surge em 90% a 95% dos casos. A probabilidade de se lembrar de sonhos ocorridos em REM é maior do que para os sonhos ocorridos em NREM

Os sonhos vão sendo diferentes ao longo da noite; no início incorporam mais resíduos diurnos e no fim têm mais componentes fantástico-oníricas. O material dominante é o nosso quotidiano, borrifado de memórias mais antigas, sendo tudo rearranjado de modo a que cada sonhador  produza uma sequência única, da qual é simultaneamente produtor, espectador e actor principal.

As emoções expressas nos sonhos são as emoções básicas, negativas e positivas, como medo, raiva, zanga, aborrecimento, culpa e alegria, contentamento, prazer, elação, etc.