O voo da coruja

O  antigo piloto da TAP, José Correia Guedes, conta como nos anos 1960 a ligação aérea a Cabo Verde e Guiné Bissau implicava fazer uma “directa” das onze da noite ao… meio dia. A história preenche um capítulo do livro de Correia Guedes “O Aviador”, editado pela Lua de Papel.

“No início da minha carreira, então jovem copiloto do Boeing 727-100 , havia um serviço da TAP a que alguns chamavam o “voo da coruja”, que consistia em ligar Lisboa à ilha do Sal , seguindo-se Bissau e depois regresso a Lisboa. Era uma noitada completa pois tinha início perto das 11 da noite de um dia e só terminava a meio da manhã do dia seguinte.

As razões para este bizarro horário prendiam-se com o facto de a aterragem em Bissau só ser possível durante o dia pois o gerador que alimentava o sistema de iluminação da pista estava em manutenção, eufemismo para dizer que estava avariado há anos, faltavam peças e não iria ser reparado tão cedo. Por essa razão tínhamos que planear o voo de forma a que a aterragem em Bissau acontecesse ao nascer do Sol ou perto disso”.

in José Correia Guedes, O Aviador, Lua de Papel

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